Após 56 dias de ocupação, os estudantes da Uerj foram retirados do Pavilhão João Lyra Filho, principal prédio do Campus Maracanã, na sexta-feira (20). Eles descumpriram o prazo dado pela Justiça para que saĂssem do edifĂcio e, com autorização judicial, a PolĂcia Militar entrou no local para retirĂĄ-los.
Houve confronto, policiais usaram bombas de efeito moral, estudantes revidaram com pedras. Estudantes chegaram a ser detidos. O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) também foi detido ao defender os estudantes.Os estudantes protestam contra mudanças nas regras para concessão de bolsas e auxĂlios de assistĂȘncia aos alunos. Eles reivindicam a revogação do Ato Executivo de Decisão Administrativa 038/2024, que estabelece, entre outras medidas, que o auxĂlio alimentação seja pago apenas a estudantes cujos cursos tenham sede em campi que ainda não disponha de restaurante universitĂĄrio. O valor do auxĂlio alimentação serĂĄ de R$ 300, pago em cotas mensais, de acordo com a disponibilidade orçamentĂĄria.
Além disso, ato da Uerj estabelece como limite para o recebimento de auxĂlios e Bolsa de Apoio a Vulnerabilidade Social ter renda familiar, por pessoa, bruta igual ou inferior a meio salĂĄrio mĂnimo vigente no momento da concessão da bolsa. Atualmente, o valor é equivalente a até R$ 706. Para receber auxĂlios, a renda precisa ser comprovada por meio do Sistema de Avaliação Socioeconômica.
As novas regras, segundo a própria Uerj, excluem mais de 1 mil estudantes, que deixam de se enquadrar nas exigĂȘncias para recebimento de bolsas.
A Uerj lembra que as bolsas de vulnerabilidade foram criadas no regime excepcional da pandemia e que o pagamento delas foi condicionado à existĂȘncia de recursos. Segundo a Uerj, os auxĂlios continuam sendo oferecidos para 9,5 mil estudantes, em um universo de 28 mil alunos, e todos os que estão em situação de vulnerabilidade continuam atendidos.
Ao longo da ocupação, houve confrontos entre estudantes e universidade. Tanto a reitoria quanto os estudantes alegaram falta de espaço para negociações. A Uerj não recuou no ato, mas estabeleceu uma transição até que as novas regras passem a vigorar.
Entre as medidas de transição estão o pagamento de R$ 500 aos estudantes que deixam de se enquadrar nas regras da Bolsa de Apoio a Vulnerabilidade Social, o pagamento de R$ 300 de auxĂlio-transporte e tarifa zero no restaurante universitĂĄrio ou auxĂlio-alimentação de R$ 300 nos campi sem restaurante. As medidas são voltadas para estudantes em vulnerabilidade social com renda per capita familiar acima de 0,5 até 1,5 salĂĄrio mĂnimo e valem até dezembro.
Sem negociação, o caso acabou judicializado. No Ășltimo dia 17, foi realizada uma audiĂȘncia de conciliação, mas não houve acordo. A juĂza determinou a desocupação da universidade, mas garantiu aos estudantes o direito à reivindicação. A juĂza também agendou para o dia 2 de outubro uma nova audiĂȘncia especial, com o objetivo de buscar um acordo sobre os valores das bolsas de estudo e dos demais auxĂlios.
Fonte: AgĂȘncia Brasil